22 de jan de 2009

Cisco planeja grande entrada no mercado de servidores

Nos próximos meses, a Cisco Systems, maior fabricante de equipamentos de rede, planeja lançar um produto que ameaça balançar o setor tecnológico e colocar a companhia em choque com parceiros tradicionais como Hewlett-Packard e IBM.

O produto - um servidor equipado com um software sofisticado de virtualização - é uma jogada ousada e arriscada da empresa em um mercado desconhecido e intensamente competitivo, que produz lucros muito menores do que os obtidos pela Cisco com aparelhos de rede. Mas isso reflete a ambição da companhia de crescer além de suas raízes, deixando de se limitar ao cabeamento da internet para oferecer de tudo, de softwares de mensagens instantâneas a aparelhos de som digitais.
Por anos, a Cisco se satisfez em vender comutadores e roteadores que orientam os rios de dados que fluem entre os sistemas de computadores. A empresa domina o mercado, com a maior parte de sua receita anual de US$ 40 bilhões, e 65% de margens de lucro bruto, vindo de tais produtos.
Outras grandes fabricantes de hardware, incluindo HP, IBM e Dell, nutrem uma relação mutuamente benéfica com a companhia, com sede em San Jose, Califórnia: a Cisco vende equipamentos de rede, enquanto tais fabricantes vendem computadores pessoais, servidores, sistemas de armazenamento de dados e softwares.
Especialistas do setor dizem que a entrada da Cisco no mercado de servidores irá perturbar essa simbiose confortável e poderá causar uma guerra aberta por clientes entre os titãs tecnológicos.
"Esse será o produto mais importante e comentado do ano," disse Brent Bracelin, analista de hardware da Pacific Crest Securities. "Haverá reações massivas de competidores como IBM e HP, e prevemos que isso leve a uma nova onda de consolidação do setor."
Os executivos da Cisco amenizaram a possibilidade de um conflito sério. "Vemos isso não como um novo mercado, mas como uma transição de mercado", disse Padmasree Warrior, chefe de tecnologia da companhia. "Sempre que ocorre uma importante transição, grandes companhias têm que competir em algumas áreas."
O fator tecnológico que orienta essa transição, segundo a Cisco, é o software de virtualização.
Ao longo da última década, o software de virtualização viveu uma ascensão meteórica. Produtos de virtualização possibilitaram que empresas executassem inúmeros aplicativos de negócios, ao invés de apenas um, em cada servidor físico, gerando economia de energia e maior eficiência de suas aquisições de hardware.
Recentemente, no entanto, a tecnologia de virtualização passou a ter um impacto mais significativo nos sistemas de computação de negócios em geral. Novas ferramentas desenvolvidas pela VMware, líder de mercado, possibilitam a reunião de aplicativos de negócios em torno de um centro de dados com um simples toque de mouse. A mobilidade do software rompeu algumas conexões lineares tradicionais entre computadores, sistemas de armazenamento e hardwares de rede.
Como resultado, companhias como a Cisco vêem a oportunidade de produzir uma nova linhagem potencialmente revolucionária de hardwares e sistemas de gerenciamento de softwares que abarcam um centro de dados inteiro. Com consumidores desejando gerenciar seus centros de dados como uma entidade única e não como unidades separadas, as maiores companhias de tecnologia do mundo devem agora lutar para assegurar a posição mais proeminente e central possível.
As novas aspirações da Cisco vão além do mercado de servidores de US$ 50 bilhões e incluem softwares de gerenciamento e possivelmente até de armazenamento.
"Nossa visão é, como virtualizar todo o centro de dados?" disse Warrior. "Não se trata de um produto só. Teremos uma série de produtos que nos possibilitarão fazer essa transição."
A Cisco poderá exibir o primeiro de seus novos sistemas já em março. A companhia não quis divulgar a natureza exata do produto, embora pessoas com conhecimento dos planos da Cisco tenham dito que ela venderia um servidor junto a um hardware de rede e um software de virtualização produzidos pela Cisco e VMware.
Ao invés de funcionar como um sistema para propósitos gerais, o produto da Cisco focará apenas em aplicativos virtuais. (A Cisco é dona de quase 2% da VMware, empresa controlada majoritariamente pela EMC, uma fabricante de sistemas de armazenamento.)
A diversificação da Cisco com sua entrada no mercado de servidores está repleta de riscos. A Cisco usufrui de margens de lucros brutos próximas a 65%, enquanto empresas que vendem servidores básicos tendem a ter margens brutas próximas a 25%.
Warrior manteve que ao juntar vários componentes de hardware a seu software, a Cisco obteria lucros mais altos do que os típicos para servidores. Mas Wall Street continua cética.
"Será certamente um desafio para a Cisco conseguir que os novos produtos tenham as mesmas margens de seus produtos atuais," um analista da Signal Hill, Erik Suppiger, disse.
Na melhor das hipóteses, a Cisco poderia obter 50% de margens brutas com o servidor, estimam analistas. Tal porcentagem, combinada a uma provável entrada modesta da Cisco em seu novo negócio, não afetaria seus lucros finais no curto prazo. Futuramente, entretanto, Suppiger e outros dizem que a empreitada poderia reduzir a lucratividade geral da Cisco e mudar a visão dos investidores em relação à companhia.
Talvez mais significante ainda seja a mudança no longo prazo da relação da Cisco com seus parceiros antigos.
Bracelin prevê que IBM e HP vão estudar a aquisição de companhias de redes iniciantes e começar a desenvolver produtos similares ao novo sistema da Cisco. Tais empresas também deverão orientar seus negócios a outras companhias de rede, como Juniper Networks e Brocade.
No entanto, a Cisco pode não ter muitas alternativas senão invadir o terreno rival. Seu principal negócio está desacelerando, e para que a companhia cumpra com as exigências de crescimento de Wall Street, deverá investigar novas linhas de negócios.
Além disso, seus concorrentes estão de olho no lucrativo negócio de rede da Cisco. Quando Carleton S. Fiorina era chefe-executiva da HP, ela participava da mesa diretora da Cisco e sua equipe executiva incentivava o setor de vendas da HP a promover os produtos da Cisco à frente do próprio produto da HP, o ProCurve.
Sob o comando do novo chefe-executivo da HP, Mark Hurd, essa estratégia acabou. A HP fez do ProCurve uma peça crucial em sua estratégia de crescimento, orgulhando-se de vender seu produto a um preço menor do que o da Cisco. Com margens brutas próximas a 50%, o ProCurve é um dos negócios mais lucrativos da HP, perdendo apenas para a tinta de impressora.
A IBM, por sua vez, tem há tempos uma relação forte com a Brocade envolvendo produtos de redes de armazenamento, e os laboratórios da IBM estão trabalhando em seus próprios projetos de hardware de rede.
HP e IBM se recusaram a comentar para a reportagem.
A Cisco descarta a insinuação de que estaria fomentando uma guerra com parceiros de longa data. A companhia está simplesmente se ajustando a uma mudança de tecnologia, e outras companhias também farão o mesmo, segundo Warrior. "Haverá tensão em algumas áreas," ela disse. "Tenho certeza de que outros atores do setor também chegarão a essa mudança."
A Cisco já enfrenta a Microsoft, outro parceiro antigo, no mercado de softwares de colaboração que ajudam trabalhadores a se comunicar em projetos. Além disso, a Cisco vê oportunidades no domínio do consumidor final, oferecendo produtos de rede para residências adquiridos através da compra da Linksys e da fabricante de conversores de TV Scientific Atlanta.
Com quase US$ 27 bilhões em caixa, a Cisco também poderia entrar mais fundo no mercado de centros de dados, talvez através da aquisição da VMware ou até mesmo de toda a EMC, dizem analistas.
"Todos estão tentando chegar ao mesmo ponto no futuro," disse James Staten, analista da firma de pesquisa Forrester. "É inevitável que, à medida que todas as empresas crescem, elas comecem a cruzar o território alheio cada vez mais."

3 comentários:

Danilo R. Elvedosa disse...

e continua ....
http://computerworld.uol.com.br/gestao/2009/01/23/entrada-da-cisco-no-setor-de-servidores-nao-importa-para-o-mercado/

Thais disse...

Pois é... o mercado de virtualização veio mesmo pra ficar!
Por causa disso.. uma dica para o povo que ainda não sabe o que quer da vida, existe muita procura no mercado coorporativo por profissionais especializados em virtualização. É um grande desafio, afinal de contas, ainda existe pouco material sobre o assunto e, por causa disso, é difícil conseguir estudar profundamente o assunto, mas vale muito a pena. Grande parte das empresas está usando virtualização em cima de CENTOS, mas está ficando cada vez mais comum a aquisição de soluções proprietárias para os Datacenters.
Não é a toa que a Cisco está investindo nisso... a gente bem sabe que a Cisco tem o dom da visão para esse tipo de coisa. ;)
Para os instrutores... temos que ir nos preparando também... logo logo vamos ter que ministrar cursos preparatórios para certificações em virtualização... :)
Bjs

Thais disse...

A pedidos do Sandro Leite... explicando melhor...
CENTOS não é uma ferramenta de virtualização, é uma distro de Linux. A vantagem dele é que já vem preparado para virtualização. Já tem no Kernel padrão dele, vários recursos ativados para suportar uma ferramenta de virtualização otimizando ao máximo o desempenho do sistema operacional e do hardware.
Para virtualizar mesmo é muito comum o uso do VMWARE e o XEN (este sim.. muito usado no CENTOS).

Esclarecido? :) Qualquer coisa, perguntem mais! :)

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