24 de jan de 2014

Cisco estará a todo vapor na fabricação local em 2014


Operações de telefonia são principal oportunidade para gigante da tecnologia, avalia Rodrigo Dienstmann, diz presidente no País.

A maioria dos brasileiro pode não perceber, mas novidades tecnológicas como o big data já estão integradas ao cotidiano, garante o presidente da Cisco no país, Rodrigo Dienstmann. Para 2014, ele vê oportunidades principalmente nas operadoras de telefonia, que precisam reduzir custos e investimentos sem perder qualidade.

Mas ganhos de eficiência e as possibilidades de inovação não devem ficar restritos a este setor: Dienstmann enxerga no aumento da produtividade um dos motores do crescimento econômico brasileiro nos próximos anos.

BRASIL ECONÔMICO: Quais as perspectivas para o mercado brasileiro em 2014?

RODRIGO DIENSTMANN: A gente tem alguns capítulos dessa projeção. Um deles tem a ver com o mercado das operadoras que, por um lado, têm um desafio muito grande de rentabilizar seus negócios. Esta rentabilização passa por investir mais em tecnologia que viabilize a criação de novos produtos — o cloud computing seria um exemplo; melhorar a qualidade percebida pelos clientes; e — ao mesmo tempo — reduzir custos e investimentos. A Cisco — nesses três pontos, que são a criação de novos produtos, a melhoria na percepção do cliente e racionalização dos investimentos — está bem posicionada no mercado. Vemos uma demanda muito grande das operadoras neste ano, vinda da expansão dos seus backbones (infraestruturas principais de redes de telecomunicações), principalmente devido à explosão da banda larga móvel e da fixa, por conta do aumento no consumo de vídeo. E, também, demandas específicas em mobilidade. Vemos todas as operadoras, não importa o tamanho ou a região, revisando seus planos e voltando a investir com mais inteligência e menos força bruta.

E outros segmentos?
As empresas estão buscando, como sempre, um aumento de produtividade. O crescimento do Brasil no futuro está menos ligado ao consumo, à migração para as grandes capitais e ao crescimento populacional, e mais ligado ao aumento de produtividade. Hoje, o trabalhador brasileiro é, por exemplo, cerca de cinco vezes menos produtivo que o americano. Podemos dizer que infraestrutura e educação são importantes, mas uma das chaves principais é o emprego da tecnologia. Vemos as empresas buscando empregar a tecnologia para aumentar a produtividade, sejam elas companhias de varejo, bancos ou de serviços. Estamos trabalhando muito de perto com grandes e médias empresas na aplicação de novas tecnologias para aumento de produtividade. Nesse sentido, 2014 é um bom ano, porque estamos mudando o nosso modelo de crescimento. Entre as pequenas e médias empresas, vemos um impulso bastante importante vindo na esteira da fabricação local: 2014 vai ser um ano em que a Cisco estará a todo vapor na fabricação aqui no país. E um dos motivadores para a fabricação local é ampliar nossa competitividade para as pequenas e médias empresas.

O setor governamental, em seus vários níveis, é um grande consumidor de tecnologia. Quais as possibilidades desse setor neste ano?

Nós vemos os investimentos em infraestrutura saindo do papel, decolando. Os aeroportos, o pré-sal, as privatizações de rodovias e ferrovias dão um novo impulso a investimentos ligados a setores de infraestrutura e isto traz investimento em tecnologia. Hoje o aeroporto não é mais o lugar onde o avião pousa e decola. Além disso, é um shopping center, um centro de serviço e um complexo tecnológico. A mesma coisa pode se aplicar a um porto.

Dentro do segmento governamental, quais as áreas mais promissoras?
Educação talvez seja a maior. Saúde anda perto, é uma oportunidade tão grande quanto. Principalmente pela carência de conhecimento e a dispersão geográfica do Brasil. Nós temos uma iniciativa no hospital do bairro de M’Boi Mirim, em São Paulo, com o Einstein, na qual a gente leva virtualmente o doutor para o hospital de M’Boi Mirim. Ele faz consultas usando o que a gente chama de HealthPresence, que é a telepresença para a saúde. Temos muitos projetos ligados a cidades inteligentes, mobilidade urbana, segurança pública, tecnologia de resposta a emergências em colaboração com o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a polícia. Vemos uma demanda muito forte, além das tradicionais do cliente governamental como cliente corporativo: as redes dos escritórios, das repartições, dos fóruns de atendimento ao cliente do governo. Cada vez usando mais tecnologia, mais wi-fi, conectividade.

A conexão à web de objetos que usamos no nosso cotidiano — a internet das Coisas — tem sido apontada como uma tendência pelas empresas de tecnologia. Em que medida o Brasil está inserido nesta nova onda tecnológica?
“ "Há um valor a ser desenterrado de US$ 14 trilhões, globalmente. De onde vêm esses recursos? Em primeiro lugar, de eliminar eficiências em cadeias de produção"

Eu diria até que o Brasil está mais inserido, na proporção, do que a média. Hoje, a Cisco estima que , até 2020, há um valor a ser desenterrado, como se fosse um tesouro, de US$ 14,4 trilhões, globalmente. De onde vêm esses recursos? Vêm, em primeiro lugar, de eliminar ineficiências em cadeias de produção, aumentar a eficiência das cadeias. Segundo, da criação de novos produtos, inovação, geração de novas fontes de receita e modelos de negócio, e do aumento da utilização dos ativos. Empresas que têm ativos aumentam a utilização e, por isto, economizam. Eu ouso dizer que a proporção desse tesouro enterrado no Brasil é muito maior que a proporção do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro na economia global.

Por quê?
Porque a gente é menos produtivo e menos eficiente. Os gargalos de infraestrutura têm um papel nisso, mas o próprio emprego da tecnologia pelo trabalhador, estudante e profissional brasileiro são menores do que a proporção. Isso faz com que esse valor no Brasil seja proporcionalmente menor. E a internet de todas as coisas já está no dia a dia do brasileiro sem que ele perceba.

Pode dar exemplos?

Eu sempre uso um exemplo que daqui a pouco vai ficar velho, que aconteceu no mercado tradicionalíssimo de táxis. A indústria do táxi foi rompida por tecnologia e, mais especificamente, pela internet de todas as coisas, que conecta basicamente pessoas, coisas, processos e dados. O táxi funciona assim: tem duas pessoas, uma querendo pegar um táxi e outra, prestar serviço. O processo de você chamar um táxi de um lugar para outro foi rompido pelos aplicativos dos smartphones. Hoje, para chamar um táxi, você ativa um aplicativo no smartphone e consegue conferir o carro que está mais perto, e por isto vem mais rápido; o mais limpo, porque os clientes fazem o rating; os motoristas mais educados, o carro mais novo. Para o taxista, ele aumentou a utilização do ativo. Os taxistas estão tendo mais receita. É um microcosmo desses US$ 14,4 trilhões. Taxistas ganhando mais dinheiro. Eu economizando meu tempo, já que pego táxi mais rápido, melhorando a qualidade do serviço. E toda essa massa de taxistas está gerando um big data que pode servir para a prefeitura planejar o fluxo de tráfego. Isso é a internet de todas as coisas. Da mesma forma, podemos citar exemplos em varejo, que está usando o wi-fi para tirar estatísticas de quantas pessoas frequentam o supermercado, por onde andam, quanto tempo ficam em cada setor. Então, a internet de todas as coisas é uma realidade no Brasil e o país tem um benefício proporcionalmente maior do que o resto das economias.

Na computação em nuvem, quais as oportunidades para a Cisco?
A computação em nuvem vai acabar virando o padrão. Hoje, ainda não é, mas está se tornando o padrão. E a computação em nuvem nada mais é do que você integrar, colocar na mesma abstração, rede e poder computacional. Atualmente, quando você usa o serviço de e-mail, não o empresarial, mas provavelmente um serviço público de e-mail, seja o Gmail ou o Hotmail, você já está utilizando a nuvem. Quando assiste o Netflix, você está usando bibliotecas em nuvem. E, dentro das empresas, cada vez mais os aplicativos estão em nuvem. A Cisco participa desse mercado, primeiro provendo a infraestrutura básica: servidores, conectividade, orquestração, todo o ecossistema que permite a você levar esse poder computacional até o usuário final. Temos, também, uma linha de serviços que pode ir desde a colaboração, como os serviços em que você pode ter centenas de pessoas em vários lugares do mundo se enxergando via conferência, compartilhando um documento, falando entre si, fazendo reuniões, cursos e consultas virtuais. É como um PABX. Então, as pequenas empresas já não precisam comprar um PABX e ter telefones. Elas podem simplesmente comprar serviços de voz em nuvem.

O big data está se popularizando de fato no país?
Já está acontecendo hoje. O big data é um conceito muito amplo que inclui não só dados estruturados, mas também os desestruturados. Big data é um termo genérico para a massa de dados. O grande valor que o big data te dá é você extrair inteligência e ação da massa de dados desestruturados. Nós temos operadoras móveis hoje que extraem big data da massa de clientes que estão utilizando o celular numa determinada estação rádio-base, ou em múltiplas estações. Baseadas nesses dados, elas fazem modificações na rede para que a rede reaja ao que está acontecendo no entorno. Se, por exemplo, eu tiver um engarrafamento agora na Avenida Presidente Vargas, a rede sente que aumentou o número de conexões e a demanda por dados, porque as pessoas presas no trânsito vão passar a navegar e tentar descobrir o que está acontecendo. A operadora rearranja a rede para que jogue mais potência aqui e tire potência de outros bairros que vão estar mais vazios. Esse é um exemplo prático do que está acontecendo hoje. A Cisco tem essa tecnologia em duas operadoras brasileiras.

E o vídeo em ultra-alta definição (4K) é uma prioridade para a Cisco no Brasil?

Enxergamos uma demanda muito forte. Hoje, você já vê aparelhos de 4K sendo vendidos em qualquer grande loja. Já está vendendo bastante e acreditamos que, conforme as redes de banda larga e as tecnologias de compressão vão se aprimorando, essa vai ser uma demanda irrefutável.

Fonte: http://economia.ig.com.br/empresas/2014-01-03/cisco-estara-a-todo-vapor-na-fabricacao-local-em-2014-diz-presidente-no-pais.html

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