23 de dez de 2009

Os Planos da Cisco


Em entrevista à Revista IP, Marco Barcellos, diretor de Marketing e Relações Públicas da Cisco do Brasil, fala das novas oportunidades para o fornecimento de equipamentos e soluções para banda-larga, comunicações e infra-estrutura no país.


Barcelos vê novas oportunidades para a Cisco no fornecimento de equipamentos e soluções para banda-larga, comunicações e infra-estrutura, alavancadas não só pelos próximos eventos esportivos, que devem concentrar investimentos no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas pela própria demanda por desenvolvimento em outras regiões do país.


Revista IP - Há pouco mais de um ano, a Cisco intensificou seus esforços para oferecer soluções para a área de videosegurança, aproveitando o reconhecido knowhow em redes. Como vocês pretendem se posicionar nesse novo mercado?


Marco Barcellos - Um dos principais drivers do mercado atual de tráfego na Internet é o vídeo. O vídeo, como aplicativo final para o usuário, traz algumas vantagens de confiança, segurança e afins. Nossa entrada nessa área de videosegurança é exatamente por causa da nossa plataforma. Ou seja, todas as mídias possíveis são transmitidas via protocolo IP. O vídeo é mais uma aplicação que pode ser transmitida através do protocolo IP. Usando a mesma rede de comunicações, todo o conceito de convergência que a gente tem no mercado, você aproveita as características da rede de comunicação de dados e trafega vários tipos de aplicação. O vídeo é mais uma dessas aplicações e talvez o principal driver que vai mudar os níveis de comunicação de agora em diante. E nós temos as integrações das ferramentas de vídeo, que nos permitem usar todo o tráfego de monitoramento de uma rede. Ou seja, você não só tem um conceito de videosegurança como alternativas no mercado, mas tudo isso integrado no mesmo sistema de gerenciamento e transmitido através do protocolo IP. Todas as vantagens que você tem transmitindo no mesmo conceito da Internet você usa mantendo toda a parte de segurança e confiabilidade numa rede IP da Cisco.


IP - Qual o perfil dos clientes que devem primeiro recorrer a esse tipo de solução?


Barcellos - Esse tipo de solução tem utilidade para quaisquer tipos de empresas que precisem de um nível de monitoramento, seja ele qual for. O que a gente tem sentido muito é a necessidade por parte de segurança pública. Ou seja, da parte de videosegurança pública. Porque, quando você tem uma área muito grande a ser coberta, você precisa ter um sistema de controle bem efetivo e automatizado. Então, utilizando a estrutura de comunicação de dados, você consegue fazer isso de uma forma mais integrada. Então, a gente tem sentido bastante, e confirmou durante o Futurecom 2009, muito interesse na parte de videosegurança pública.


IP - E quando os clientes ainda não têm um parque tecnológico IP, trabalhando ainda com o analógico, como vocês fazem para lidar com isso?


Barcellos - Nosso sistema de videosegurança utiliza tanto tecnologias atuais, mais modernas, da própria Cisco ou de quaisquer outros fabricantes, quanto qualquer tipo de tecnologia, mesmo câmeras analógicas. Isso dá uma flexibilidade para que o cliente possa fazer essa integração paulatinamente. Na parte de transmissão de dados, já é uma realidade que todas as empresas estão migrando para comunicação IP. Então nossa solução permite que o cliente utilize o seu legado com câmeras analógicas e faça a integração. O grande segredo é o sistema de gerenciamento de vídeo, que tem uma série de algoritmos que otimizam as aplicações de segurança.


IP – Durante a Futurecom, foram apresentadas no estande algumas salas com sistemas de telepresença.


Barcellos - O sistema de telepresença já se tornou uma realidade. No Brasil, tem uma série de empresas utilizando e usufruindo seus benefícios. No Futurecom, aproveitamos a oportunidade para lançar um novo modelo. Na verdade, é um lançamento mundial: a CTS 1300. Trata-se de um modelo com uma tela só, mas que tem todas as características dos modelos de maior porte. Exatamente para você ter várias combinações de empresas, aplicações, e necessidades que sejam atendidas pelas soluções de telepresença.


IP - Qual o tamanho da tela desse modelo?


Barcellos - 65 polegadas. É a mesma tela que usamos no sistema 3000, que já havia sido lançado antes. O objetivo é que você tenha, no caso da 1300, uma sala de reunião onde você pode compartilhar até seis pessoas utilizando esse mesmo sistema de telepresença. É importante destacar que a 1300, ou o modelo menor, que é a CTS 500, que a gente também demonstrou no Futurecom, podem se interligar com quaisquer modelos. Ou seja, uma empresa pode ter algumas unidades de cada tipo de aplicação e de acordo com a utilização que ela vai dar àquela sala.


IP – Nesse sentido, que outras vantagens vocês tentam destacar para vender sistemas de telepresença?


Barcellos - O grande benefício que uma empresa passa a ter com a tecnologia da telepresença é a parte de colaboração. Você consegue reunir pessoas que, geograficamente, não estão num mesmo local. Obviamente, a maioria das empresas busca, num primeiro momento, a economia, porque é possível reduzir gastos com viagens e deslocamentos, e aumentar a produtividade. Então, o maior benefício talvez seja a parte de colaboração. Conseguimos agregar isso a uma maior necessidade do cliente, que é a economia e redução de custos com comunicação e viagens e deslocamentos de executivos e funcionários. Então, num primeiro momento, a empresa consegue notar retorno sobre esse investimento de uma forma muito rápida e, partir daí, ela passa a ter os benefícios adicionais em colaboração e integração com outras soluções da própria empresa, em diversas localidades.


IP - Como o mercado tem se posicionado em relação à demanda por soluções mais simples?


Barcellos - A gente tem soluções até mais, digamos, portáveis, como a solução Webex, passando por videoconferência. A tecnologia de telepresença é sim uma tecnologia disruptiva. Ela é a primeira tecnologia que consegue realmente entregar o que a videoconferência, entre aspas, prometeu. Através da telepresença, você tem realmente a sensação de um contato presencial. Ela realmente simula um contato presencial. A videoconferência transmite o vídeo, mas não transmite nenhuma das sensações de comunicação corporal que você normalmente tem. A telepresença basicamente entrega a promessa da videoconferência, assim como outro ponto fundamental nos dias de hoje, que é simplicidade. A telepresença faz parte das nossas soluções de comunicações unificadas e é como se fosse um ramal de um sistema de telefonia IP. Ou seja, para você fazer uma conexão, basta ligar para o número de uma sala de telepresença, e é atendido imediatamente. Não requer agendamentos anteriores ou pedir apoio de suporte técnico, dependendo de qualidade de link. A simplicidade da utilização faz com que o sistema de telepresença seja a grande tendência para a parte de conjugação visual.


IP - Como a Cisco se desempenhou no Brasil nos últimos 12 meses?


Barcellos - A crise é uma realidade. Aconteceu e, apesar de tudo, o Brasil teve um resultado bastante expressivo, e acabou acelerando algumas prioridades em termos de visibilidade da Cisco no mundo. Os países emergentes são os primeiros que estão saindo dessa situação. O Brasil já havia sido elencado como uma das prioridades da corporação em Julho do ano passado, e isso acelerou os investimentos no Brasil. Apesar da situação financeira mundial, o Brasil teve uma participação que fez aumentar seu nível de visibilidade.


IP – Quais as perspectivas de investimentos no Brasil, considerando-se eventos esportivos programados e o recente desenvolvimento econômico do país?


Barcellos - Quanto à economia, estamos com claros sinais de recuperação em diversos segmentos do mercado brasileiro. Naturalmente, o epicentro dessa crise foi nos Estados Unidos, então sofremos o impacto dessa crise global. Até pela velocidade da Internet, essa crise foi muito mais divulgada e a solução também vem de uma forma mais colaborativa. O que estamos vendo para os próximos anos, e vem de encontro ao que comentamos sobre o Brasil ter sido elencado como prioridade, é que temos eventos importantes, como você citou - tem os Jogos Militares, com vários atletas de todo o mundo, que acontece em 2011 no Rio de Janeiro, Copa do Mundo em 2014, e agora as Olimpíadas de 2016. Isso nos dá uma oportunidade muito grande, porque a gente trabalha com infra-estrutura de comunicação. Temos vários desafios como país, mas é uma grande oportunidade para a Cisco no desenvolvimento de capilaridade de banda larga, equipamentos, novas estruturas de comunicação, e toda a parte que precisa de infra-estrutura no país, que também vai ser uma nova oportunidade de negócios para a Cisco. Tudo isso é válido especialmente para a parte de transportes, hotelaria, enfim, serviços agregados que o país vai precisar ofertar para esses eventos esportivos. E a Cisco está preparada para ajudar a construir essa rede.


IP – Corre-se o risco de os investimentos se concentrarem nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo?


Barcellos - Há várias atividades ocorrendo simultâneas. Além desses eventos esportivos, há uma necessidade cada vez mais premente em relação ao aumento da capacidade de banda larga e interconexão das escolas no país. Talvez haja uma concentração no Rio e São Paulo nessa área de esportes, mas o Brasil tem muita coisa a crescer em termos de infra-estrutura. Temos bons desafios e boas oportunidades pela frente.


Fonte:

http://www.revistaip.com.br/article.php?a=386

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