4 de fev de 2010

Acesso a conexões rápidas é bastante desigual mundo afora

Os números impressionam, mas trazem um alerta. Em setembro de 2009, 1,7 bilhão dos 7 bilhões de pessoas do planeta podiam navegar pela internet, um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2008. Desse total, 42% estavam na Ásia, o continente mais populoso do mundo, 24% na Europa, 25% nas Américas, 5% na Oceania e apenas 4% na África. A discrepância, porém, não se dá apenas no número de pessoas que acessa a internet, mas também na qualidade da navegação.
Tomando os continentes como referência, é possível ver o tamanho da desigualdade no acesso à banda larga. Enquanto na Europa 68% das conexões são feitas em alta velocidade, na África o índice cai para 11%, segundo dados da empresa de monitoramento de tráfego na internet Akamai. Na América do Sul, a situação é levemente melhor do que a africana, com 17% dos acessos sendo feitos a velocidades superiores a 128 Kbps tanto para download quanto para upload. Esta é a velocidade definida pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) como mínima para ser considerada de banda larga. Ainda no quesito percentual de acesso, a América do Norte apresenta índice de 57%, enquanto a Oceania chega a 44% e a Ásia, a 45%. Logo, apenas na Europa mais da metade das conexões são feitas em alta velocidade.Porém, por que um país precisa tanto de banda larga hoje em dia?
“A banda larga não é mais um luxo. Ela se tornou a infraestrutura central da economia moderna, necessária para prover aplicações e serviços avançados a governos, empresas e consumidores”, respondeu Sami Al Basheer Al Morshid, diretor do escritório de desenvolvimento da União Internacional de Telecomunicações (UIT), durante a Cúpula da Comunidade Estados Independentes, evento que reúne representantes de diversos governos, realizada em novembro de 2009 em Minsk, capital da Bielorrússia, na Europa Oriental.Essa infraestrutura é que permite o acesso a aplicações modernas e mesmo ao entretenimento de qualidade técnica. Com uma faixa de transmissão de dados ampla, práticas como telemedicina e downloads de filmes em alta definição se tornam possíveis e cotidianas. Logo, quem tiver mais acesso à banda larga terá também mais acesso a serviços públicos de nova geração.
Velocidade média
A diferença nos níveis de acesso também é presente na velocidade média fornecida pelos provedores. Os europeus, por exemplo, além de terem um serviço mais presente, também podem navegar pela internet com mais rapidez. A banda média oferecida no mercado do Velho Continente é de 3,5 Mbps, enquanto na América do Sul é de 1,3 Mbps. Na Ásia, a situação é ainda melhor, com média de 4,4 Mbps, contra 3,5 Mbps da América do Norte.A comparação fica ainda mais discrepante quando se compara a velocidade média das conexões disponíveis no mercado em cada país. O índice global, de acordo com a Akamai, é de 1,7 Mbps.
A Coréia do Sul, no entanto, é uma das responsáveis por puxar esse número para cima. No país asiático, o consumidor tem à disposição conexão em altíssima velocidade. A média lá é de 14 Mbps, bem à frente do segundo colocado, o também asiático Japão. Quando precisam carregar uma página ou baixar um filme, os nipônicos têm serviços que oferecem 7,9 Mbps, em média. Hong Kong vem logo atrás, com 7,6 Mbps. A barreira dos sete megas só é quebrada a partir da quarta colocação, ocupada pela Romênia, com 6,2 Mbps de média.O diretor de marketing da Akamai, David Belson, no entanto, faz ressalvas importantes para esses números. “Os países líderes, em geral, são pequenos, com grande parte da população concentrada nas grandes cidades, que também são poucas. Isso barateia o custo de instalação.
Há também fortes investimentos governamentais para melhorar a infraestrutura de banda larga nesses locais”, disse o executivo em entrevista à rádio “American Public Media” no dia 20 de janeiro.Não à toa, os grandes países, em termos de extensão territorial e populacional, estão pondo dinheiro pesado para melhorar seus índices de conectividade. A Austrália, por exemplo, está investindo cerca de US$ 30 bilhões para ampliar sua rede de banda larga ao longo de oito anos, como noticiou o Guia das Cidades Digitais em abril do ano passado.
O Japão anunciou investimentos da mesma escala, enquanto o governo Obama se comprometeu a disponibilizar US$ 7,2 bilhões para disseminar o acesso à banda larga naquele país.A intenção desses países é não só difundir a internet em alta velocidade como aumentar a rapidez da troca de dados. A Akamai faz uma lista dos países lideres na alta banda larga, aquela com serviços maiores que 5 Mbps. Esse índice foi responsável por 19% das conexões à internet no terceiro trimestre de 2009, de acordo com a empresa. Na Coréia do Sul, 74% dos acessos se dão nessa faixa, índice bastante superior ao resto do mundo. Em termos de comparação, o segundo colocado, o Japão, possui 60% das conexões dentro desse universo de navegação ultrarrápida. Dezesseis por cento dos coreanos conseguem fazer downloads a taxas maiores que 25 Mbps, índice impensável atualmente no Brasil.
De acordo com a empresa, apenas 1,4% das conexões brasileiras são maiores que 5 Mbps.No extremo oposto da tabela estão os países africanos e algumas ilhas do Pacífico. Nesses locais, internet ainda é uma realidade distante. E rara. O índice da “banda estreita” é liderado pela pequena Mayotte, ilha africana no oceano Índice. Lá, 99% das conexões são feitas com velocidades menores que 256 kbps. Os percentuais são semelhantes em outros países do continente africano, como Zimbábue (95%), Malauí (95%), Etiópia e Ruanda (93%).

Situação no Brasil
O estudo da Akamai aponta a velocidade média disponível no Brasil como sendo de 1 Mbps. E afirma ainda que quatro das cidades “mais rápidas” da América do Sul estão no país, oferecendo velocidade média entre 1,6 e 1,9 Mbps. O relatório destaca Curitiba, Florianópolis, Campinas e Belo Horizonte. A capital paranaense aparece como a de maior rapidez na conexão, com 1,9 Mbps em média. Contudo, fica na quarta posição dentro do continente. A liderança cabe à cidade de Cucuta, na Colômbia, com 2,4 Mbps, ainda muito distantes dos incríveis 33 Mbps disponíveis na cidade de Sandy, nos EUA, que lidera o ranking mundial de acordo com a empresa de consultoria.A baixa velocidade em oferta no Brasil é comprovada por outros estudos.
O “Barômetro Cisco de Banda Larga”, produzido pela empresa de tecnologia, mostra que apenas 5,8% da população brasileira possui acesso a internet rápida. Dos que podem navegar com esse tipo de conexão, 66% o fazem com velocidades menores que 1 Mbps. E, segundo outra pesquisa, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ainda pagamos caro por um serviço de má qualidade. O custo médio de serviço de banda larga no Brasil é de R$ 162. Para comparar, nos países que compõem a Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE, na sigla em inglês), o custo mensal é de US$ 22,25, o equivalente a cerca de R$ 40. E isso por um serviço que, muitas vezes, não é menor que cinco megabits por segundo, como no Japão. De acordo com os pesquisadores do órgão público, o valor é alto devido à falta de infraestrutura, à alta carga tributária e à ausência de concorrência em muitas localidades.

Data: 01 de fevereiro de 2010
Autor: Marcelo Medeiros
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